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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ESCORREGÃO DO PORTUGUÊS

                                   A língua portuguesa, tanto falada quanto escrita, oferece dificuldades para todo mundo, principalmente para aqueles que não estão familiarizados com suas regras ou lêem pouco, e passam a adotar a forma de falar ou escrever como ouvem de seus pais, parentes ou amigos.
                                   Até professores do curso primário (ensino fundamental), infelizmente, falam ou escrevem errado, transmitindo os erros para seus alunos. O mesmo acontece nas petições que com freqüência são apresentadas em juízo, sem que o advogado tenha o cuidado de verificar a maneira como as palavras devem ser escritas.
                                   São famosos os casos de advogados que escrevem açassino ou assacino ou ainda assão, em vez de ação. É mais comum do que se pode imaginar e eu fico pensando como esses advogados, que passaram pelos bancos escolares, que prestaram exame vestibular rigoroso, possam ainda cometer tais erros tão banais para um profissional da área. E é interessante que agora, com o recurso do computador, usam o banner para enfeitar dentro da petição o nome da ação, destacando mais ainda os erros.
                                   Mas é muito comum encontrar petições trazendo palavras como: envirtude, souteiro, recurço, ofencivas, talba (em lugar de tábua) houvir, groceiras, compania, inracional, discursão (em vez de discussão), previlégio, omicídio, poblema, uzocampeão, arrazuado e acído, no sentido de assíduo.
                                   Em matéria de inventário há sempre confusão. Por ex.: a sucessão se abre, naturalmente, no momento em que a pessoa morre. Pois em vez de requerer a abertura do inventário, o advogado pede a abertura da sucessão, ou seja, que o juiz vá lá e mate o morto!
                                   Como juíza, de vez em quando eu me escandalizo com o que leio e costumo determinar a intimação do advogado para emendar a petição. Para não ofender seus brios, aponto o erro dizendo que, provavelmente, ao ser digitada a petição, seu secretário se equivocou. Aproveito ainda meu despacho para recomendar que o advogado tenha mais cuidado ao ler suas petições para evitar erros dessa natureza, etc. Faço isso por desencargo de consciência porque, quase sempre, o caso é perdido.
                                   Muitas vezes não ocorre erro de grafia, mas é o sentido da frase que fica confuso, quando o advogado pretende apresentar argumentos e não consegue exprimir sua intenção de forma correta.
                                   É preciso ler e reler pacientemente a petição, para entender o que o advogado quer dizer e não prejudicar o direito das partes.
                                   Certa vez, quando eu era advogada, li a petição de um advogado da parte contrária que trazia aos autos uma prova documental, mais precisamente um retrato, e se perdeu na explicação. Ele pretendia comprovar a existência de uma janela aberta a menos de um metro e meio da divisa e, para tanto, como início de prova, juntou a fotografia. Só que a tal fotografia, tirada de outro ângulo da casa, não mostrava a janela objeto do pedido.
                                   Não se dando por vencido, por não ter em mãos a prova que desejava, resolveu juntar mesmo aquela foto que nada significava e, após tentar argumentar, a redação saiu assim: “ podendo se ver uma janela que, em certa posição, não é vista, como se vê na foto”.
                                   Não se viu nada.



A ESPONTANEIDADE DAS CRIANÇAS


                                   As estórias de crianças são sempre muito divertidas por causa da espontaneidade. Principalmente quando são contadas por vovós.
                                   Minha neta Roberta quando tinha seus dois anos de idade era muito falante e desembaraçada. Certa vez estava me atrapalhando a jogar baralho porque perguntava tudo e eu tinha que estar explicando.
                                   Com uma jogada errada, pedi que ela ficasse calada porque estava me impedindo de prestar atenção no jogo. Ela, toda sentida, fez biquinho e disse: “eu tenho boca, boca é pra falar”.
                                   Na mesma noite, após tomar banho e vestir o pijama, ela voltou da cozinha toda molhada. Quando vi, imediatamente a repreendi: “Roberta, você se molhou toda. Estava com o pijama limpinho para dormir!”, ao que ela, tirando a chupeta da boca, me respondeu: “vai jogar baralho, vai, vovó”.                                                                       Outro caso engraçado aconteceu com Daniel, meu sobrinho. Quando ele tinha cinco anos, mais ou menos, foi levado para andar a cavalo em Marataízes. Quando chegou próximo ao cavalo, sentiu medo e não quis montar. O dono do cavalo, tentando estimulá-lo, disse: “vamos, está com medo? Você é um menino ou um sapo?”, ao que ele respondeu prontamente: “eu sou um sapo”.
                                   Ricardinho, neto da Mimite, ao completar três anos de idade, foi à escola pela primeira vez. Saiu feliz, uniformizado e de merendeira nova. Ao voltar, à tarde, Mimite o recebeu toda sorridente e foi logo perguntando: “o que você fez hoje na escola?” E ele respondeu: “chorei, vovó, chorei muito”.
                                   João Victor, filho de Fabíola e Dr. Jean Claude adora restaurantes sofisticados, aos quatro anos de idade. Outro dia, no Rio de Janeiro, ao atender o casal, o maitre dirigiu-se a João Victor e perguntou: “e você, o que vai pedir?”. E ele, prontamente, respondeu: “um arrozinho, um franguinho com creminho, e uma cocacolinha light”.                                
                                   Meu neto Victor não queria tomar banho, apesar da insistência de Luciane que o chamava a todo instante. Pepenha, minha irmã, que presenciava a cena, falou: “Victor, obedece sua mãe.” Ele, olhando meio zangado, perguntou a Pepenha: “a que horas você vai para sua casa?”.
                                   No primeiro dia da aula de karatê, meu neto Afonso estava ansioso. Quando Ângela, minha nora, estava se despedindo para buscá-lo mais tarde, recebeu como resposta: “acho melhor você ficar, porque eu posso chorar”.
                                   Gilbertinho, filho da Mimite, quando tinha uns cinco anos de idade, pediu a Papai Noel dois presentes: dois elefantinhos. Com a negativa de Mimite, que explicou que Papai Noel só dava um presente porque eram muitas crianças para receber, Gilbertinho perguntou: “pergunta se ele pode me dar uma elefanta esperando elefantinho”.
                                   Meu neto Felipe, quando tinha dois anos de idade, havia tomado banho e estava pulando em cima da cama, não deixando que a mãe vestisse sua roupa. Ângela o repreendeu, dizendo: ”vem vestir o short, porque se não o cachorro come o seu piu piu, e como você vai poder fazer xixi?”. Ele parou de pular, olhou para a mãe e respondeu: “pela boca do cachorro, ué”.
                                   O caso acontecido com a Silvinha, filha da Solange Dutra Simões, é outro muito engraçado. Ela recebeu esse nome em homenagem a Silvia, uma aparentada. E desde sempre foi chamada pela Silvia de xará e vice-versa. Sempre que a Silvia chegava do Rio, Solange dizia para a filha: “vamos visitar a xará”, ou quando se encontravam, dizia: “dá um beijo na xará”. E o tratamento era recíproco porque sempre que a Silvia se dirigia à Silvinha, chamava-lhe de xará.
                                   Certa vez, após se encontrar com a Silvia, a Silvinha se voltou para a mãe, com ar interrogativo, e perguntou: “mamãe, como é mesmo o nome da xará?”.